Padrão Quali-Quantitativo do Descarte de Águas Residuárias em Áreas Carentes: um estudo no Alto do Bom Viver em Salvador-BA

Ano:
2005
Palavras chave:
Resumo:
Discorre-se sobre o volume de água residuária, expresso em lâmina, descartado pela população que ocupa alguns dos assentamentos carentes ocorrentes nas partes altas das encostas e taludes de corte de Salvador. Utiliza-se para tal, como exemplo, um sítio do Subúrbio Ferroviário de Salvador conhecido como Alto da Boa Vista do Lobato. Em geral, tais assentamentos dispõem de abastecimento de água mas não dispõem de sistemas de esgotamento. Como consequência, as águas consumidas pela população retornam inexoravelmente ao ambiente e são descartadas de modo concentrado e não disciplinado em um ou dois pontos da crista do talude. Discorre-se também, de um modo geral, acerca da taxa de ocupação de assentamentos que iguala ou faz essa lâmina superar a lâmina anual total precipitada pela chuva. Em adição, compara-se quantitativamente e se realça as diferenças associadas à intensidade, à duração e à freqüência das lâminas precipitadas pela ocupação e pela chuva. Conclui-se que as lâminas anuais descartadas pela população são surpreendentemente elevadas, comparáveis às precipitações pluviométricas e, quando o lote unidomiciliar alcança ou é inferior a cerca de 70 a 100 metros quadrados, a lâmina descartada pela população iguala-se ou supera a precipitação pluviométrica - a depender do ano hidrológico. Apoiando-se em conceitos relacionados à hidrologia e à infiltração, observou-se que, em períodos de baixa precipitação pluviométrica, a lâmina diária gerada pela população que infiltra no subsolo tende a ser menor que a evapotranspiração. Já nos períodos de chuva intensa esta lâmina tende a ser da ordem do centésimo das lâminas geradas pelas chuvas intensas, portanto desprezível. Em ambos os períodos, as vazões geradas pela população e descartadas nas cristas dos taludes, de modo concentrado e pontual, são muito baixas em termos absolutos e desprezíveis quando comparadas às vazões geradas pela chuva. Não alcançam valores capazes de sobrecarregar os sistemas rudimentares de drenagem existentes, ou gerar erosões nas faces dos taludes, ou inundar as partes baixas do relevo. Podem, entretanto, infiltrar-se sistemática e continuamente por pontos da face do talude, sobretudo se o mesmo tiver sido cortado e exposto camadas subjacentes mais permeáveis, escorregamentos. tal como ocorre nas encostas de solos residuais que são antropizadas por toda a cidade, criando pré-condições favoráveis à ocorrência de