ANÁLISE EXPLORATÓRIA DE DIFERENÇAS DE CONFORTO TÉRMICO ENTRE DOIS PADRÕES DE OCUPAÇÃO URBANA REPRESENTADOS POR OCUPAÇÃO ESPONTÂNEA E POR OCUPAÇÃO PLANEJADA

Ano:
2011
Palavras chave:
Conforto térmico; Índice de conforto térmico; Padrões de ocupação urbana; Índices urbanísticos; Qualidade ambiental urbana;
Resumo:
O processo de urbanização crescente tem como consequências alterações no clima local que interferem de forma negativa no conforto térmico e na qualidade ambiental urbana. A redução de áreas verdes, a impermeabilização excessiva das superfícies, o adensamento populacional, os padrões de ocupação do solo e a emissão de poluentes, entre outros, são apontados como fatores que influenciam fortemente as mudanças climáticas no ambiente das cidades, percebidas, principalmente, pelo aumento da temperatura nas áreas mais adensadas, fenômeno conhecido como ilha de calor urbana. Pesquisas realizadas em várias áreas buscam compreender e reorientar as atividades humanas na tentativa de minimizar os impactos negativos sobre o clima das cidades e melhorar, consequentemente, o conforto térmico da população. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho é analisar as diferenças de conforto térmico entre padrões de ocupação urbana representados por uma ocupação espontânea e uma ocupação planejada. O estudo foi realizado na cidade de Salvador-BA, em dois pontos específicos, um situado no bairro Nordeste de Amaralina e outro no bairro Pituba, que são áreas vizinhas e com características de ocupação totalmente diferenciadas. O trabalho foi desenvolvido em três etapas: primeiro foram analisadas as características urbanísticas dos espaços urbanos selecionados tais como tamanho dos lotes, gabarito de altura das construções, índice de ocupação, índice de permeabilidade, recuos, densidade construída e presença de vegetação. Os levantamentos foram feitos por meio de mapas da base cartográfica da cidade de Salvador-BA, imagens de satélite, programas de CAD e observações nos locais; em seguida foram avaliadas as condições climáticas dos locais através de medições das variáveis: temperatura do ar (ºC), umidade relativa do ar (%), velocidade do ar (m/s) e temperatura de globo (ºC), e calculada a temperatura radiante média (ºC); por último, foram avaliadas as condições de conforto térmico nos espaços urbanos, utilizando como parâmetro, o índice de conforto térmico Phisiological Equivalent Temperature – PET (°C). A pesquisa é norteada por estudos anteriores realizados sobre o clima urbano para a cidade de Salvador-BA, entre estes, Nery et al. (1997), Andrade et al. (2002; 2003; 2004; 2005), Moura et al. (2006), Fé et al. (2007). Os níveis de conforto foram analisados com base na calibração do índice PET (°C) para áreas abertas em Salvador, obtida em estudo recente (SOUZA, 2010). Dessa forma, foram classificados os valores de PET (°C), de acordo com os intervalos citados, obtendo-se os seguintes resultados: prevalência de valores de PET (°C) menores que 29°C, nas duas áreas, com 66% em conforto térmico no Nordeste de Amaralina e 95% em conforto térmico na Pituba. Com relação à sensação de Calor, foram 34% no Nordeste de Amaralina e 5% na Pituba. Não houve classificação de Muito Calor para ambas as áreas. O local da Pituba com padrão de ocupação planejada apresentou melhores resultados do que o local do Nordeste de Amaralina, com padrão de ocupação espontânea, em relação às condições de conforto térmico. Apesar disso, ambas as áreas não atendem aos índices urbanísticos da legislação vigente em Salvador, apresentando índices que comprometem as condições de conforto, impactando negativamente a qualidade ambiental urbana.