Apresentação de Seminário de Pesquisa: SENSORIAMENTO REMOTO PARA MONITORAMENTO E MINIMIZAÇÃO DE CONFLITOS AMBIENTAIS NA REGIÃO DA ESTAÇÃO ECOLÓGICA RASO DA CATARINA

Local:
Sala do PPEC 8º andar

Data :
07/28/2016 - 15:40

Resumo:

Os avanços tecnológicos na área de Sensoriamento Remoto – SR nos últimos anos têm possibilitado a aquisição de informações mais precisas e detalhadas. O SR é uma das ferramentas mais utilizadas para o estudo da Terra devido as suas principais vantagens em relação a outros métodos de coleta de dados da superfície terrestre, contribuindo para uma gestão territorial que promove o desenvolvimento sustentável regional, fornecendo aos gestores informações qualitativas e quantitativas sobre o do uso da Terra e sua dinâmica espaço-temporal. O presente estudo pretende oferecer metodologia de monitoramento de informações qualitativa e quantitativa do uso da terra para minimização de conflitos ambientais na região da Estação Ecológica – Esec Raso da Catarina. Para isso será realizado: i) a identificação e caracterização dos conflitos ambientais presentes do entorno da Esec Raso da Catarina; ii) conhecer a cobertura da terra do entorno da Esec Raso da Catarina; iii) identificar mudanças ocorridas na cobertura da terra do entorno da Esec Raso da Catarina; iv) identificar usos mais conflitantes nas áreas mais críticas; v) identificar áreas com maior favorabilidade aos conflitos; vi) e apresentar síntese didática da proposta metodológica de monitoramento para conflitos ambientais do entorno da Esec Raso da Catarina. A Esec Raso da Catarina é uma Unidade de Conservação Federal de proteção integral, localizada entre os municípios de Jeremoabo, Paulo Afonso e Rodelas, no estado da Bahia, Brasil. A região é de extrema importância biológica, sua vegetação natural predominante é de Caatinga com vegetação mais incidente do tipo arbustiva densa, onde existem várias espécies de ocorrência endêmicas e ameaçadas de extinção. Para identificar e caracterizar os conflitos presentes do entorno da Esec Raso da Catarina, foram realizadas indagações em 11 comunidades do entorno da Esec Raso da Catarina. A pesquisa foi realizada através da metodologia participativa, em uma abordagem qualitativa e quantitativa. Para compor as entrevistas individuais e em grupo focais, foram utilizados dois roteiros de entrevistas, sendo: o primeiro roteiro, para conhecer melhor como as pessoas individualmente conhecem o ambiente que vivem, com 23 perguntas; e o segundo roteiro, com cinco indagações, utilizando a técnica do grupo focal para aprofundar e discutir algumas questões que se mostraram necessárias. Os resultados das entrevistas foram transcritos e analisados qualitativamente e quantitativamente, visando entender os principais conflitos que acontecem do entorno da Esec Raso da Catarina. Para conhecer a cobertura da terra e as mudanças ocorridas do entorno da Esec Raso da Catarina, foram aplicadas técnicas de processamento digital de imagens utilizando imagens Landsat 5 e 8, para um período de 28 anos. As imagens foram realizadas correções geométricas e radiométricas, classificação não supervisionada por pixel com o classificador KMedias. Efetuou-se uma análise de exatidão, através de matrizes de confusão onde se calculou os erros de comissão e omissão. Durante 28 anos, houve crescimento bastante considerável nas áreas antropizadas (1.512,87 km2) e nas áreas Gramíneo lenhosa/área em processo de antropização (2.233,20 km2). A utilização de imagens de satélite possibilitou a análise da evolução dos cenários da cobertura da Terra em distintas épocas, mostrando a real situação do processo de antropização na região. Fica evidente que a principal ameaça para a espécie da arara-azul-de-lear é a redução das áreas de licurizeiros, pois estas áreas estão inseridas em local aonde se verifica a presença humana em diversas comunidades do entorto na Esec Raso da Catarina, consequentemente o desmatamento, queimadas e cortes dos licurizeiro. Portanto, os conflitos ambientais presentes residem na luta pela preservação e conservação da palmeira licuri e da arara-azul-de-lear, visto que da forma em que se encontram, estas áreas do entorno da Esec Raso da Catarina vêm sofrendo atividades conflitantes.