Apresentação de Seminário de Pesquisa: SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO À ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DAS AÇÕES ANTRÓPICAS SOBRE A COBERTURA DE SOLO EM REGIÃO DE LAGOAS URBANAS.

Local:
Labgeo - Departamento de Transportes

Data :
06/09/2011 - 10:30

Resumo:

O estudo do ambiente é essencial às sociedades, uma vez que estes abordam a natureza, suas interações e a ação do homem interagindo entre si. As características geoambientais e econômicas aliadas às técnicas de intervenção utilizadas irão determinar a forma de distribuição das habitações do homem no espaço, bem como os impactos ambientais por elas causadas. As ciências ambientais partem do princípio dos estudos interdisciplinares de como a natureza funciona e como se relaciona. É preciso entender a qualidade ambiental como um reflexo das ações humanas sobre o espaço e seus componentes num dado momento.

 

A água é um elemento imprescindível seja na manutenção da vida terrestre, regulação do clima, na formação do relevo, além de ser considerado o solvente universal, diluindo resíduos e poluentes ou sendo reciclada pelo ciclo hidrológico. Segundo Miller (2007) a hidrosfera corresponde a 71% da superfície terrestre, porém 97,4% dessas águas estão localizadas nos oceanos e lagos salinos. Ou seja, apenas 2,6% das águas são classificadas como água doce.

 

A bacia hidrográfica é a unidade básica organizacional dos estudos ambientais. São partes integrantes de uma bacia hidrográfica: rios e riachos, rede de drenagem, lagos e lagoas e interflúvios. A rede de drenagem constitui-se elemento imprescindível de transporte de matéria e energia, que interagem entre o meio sólido e os recursos hídricos. Devido a esta interação entre ambientes secos e a rede de drenagem, este último se constitui como elemento com alto grau de vulnerabilidade entre as ações antrópicas. Ressalta-se que as civilizações, em sua grande maioria, desenvolvem-se às margens dos recursos hídricos, como ocorreu com Feira de Santana, que será a área de estudo deste trabalho, que teve seu surgimento ligado as lagoas. Este contato entre recursos hídricos e ações antrópicas não é de forma harmoniosa, como ocorre em Feira de Santana. O crescimento urbano do município não respeitou os limites das lagoas, implicando em diversos impactos ambientais nas lagoas.

 

Assim surge a necessidade crescente de proteção aos recursos hídricos, e os estudos ambientais servem como aporte teórico e metodológico ajudando na proteção dos recursos hídricos, neste contexto os estudos ambientais que utilizam a Cartografia destaca-se como método analítico dos impactos ambientais. Sendo assim, será classificada a cobertura do solo nas regiões das Lagoas da Tabua e Lagoa Grande, ambas estão situadas no perímetro urbano de Feira de Santana. Serão delimitadas as Áreas Sujeitas a Regimes Específicos ASRE que correspondem à região que possui proteção especial de acordo com a legislação municipal, bem como o que consta no código das águas.

 

Após a identificação das lagoas, bem como o delineamento das áreas sujeitas a regimes específicos, será realizada a análise da cobertura do solo, através do estudo da dinâmica temporal da ocupação humana sobre estas regiões. Esta análise procederá a partir da avaliação multi-temporal das imagens de satélite correlacionando com os dados censitários de crescimento da população do município de Feira de Santana. Nesta etapa serão utilizadas as imagens de satélite Landsat 2 sensor MSS, Landsat 5 sensor TM, Landsat 7 Sensor ETM+, disponível no período de 1975, 1993, 2000 e 2008. Com a aplicação do algoritmo classificador de imagem de máxima verossimilhança Maxver, ou seja, será gerado um modelo de crescimento urbano versus mudanças na cobertura do solo no período de aproximadamente 35 (trinta e cinco) anos com intervalo aproximado de 10 anos entre as imagens, totalizando de 4 (quatro) mapas temáticos. Serão realizados levantamento de campo1[1] para apoio técnico e validação das informações adquiridas pelo processamento digital de imagens. Também será construída a matriz de correlação, para análise bidimensional, listando as principais fontes geradoras de impacto e suas respectivas conseqüências.

 

O surgimento do município de Feira de Santana está ligado à disponibilidade de água que as lagoas ofereciam aos viajantes que cruzavam o sertão. Ou seja, as lagoas fazem parte da história social da cidade, no entanto, o surgimento da cidade não respeitou os limites impostos pela natureza e seu crescimento vem desrespeitando as legislações que protegem os recursos hídricos. Segundo documentos disponíveis no arquivo público do município afirmam que a “hidrografia do município é pobre” (FEIRA DE SANTANA 1957), apontando apenas os rios como integrante espacial dessa hidrografia. Nota-se, a partir desta visão, o desconhecimento das lagoas como uma fonte de recursos hídricos. Esta visão é reafirmada posteriormente quando aborda os recursos naturais e em nenhum momento o texto cita as lagoas. Pode-se deduzir que trata-se de uma percepção reducionista que excluía as lagoas dos recursos ambientais e hidrográficos servindo mesmo que indiretamente, para “justificar” os avanços do espaço urbano sobre os mananciais hídricos. No entanto esta visão espacial só é substituída no ano de 1992 quando se cria o primeiro código de meio ambiente, ou seja, a lei municipal 1613/92, primeira legislação municipal que protegia as lagoas do município feirense.

 

Apesar do contexto histórico e as necessidades ambientais, não existem trabalhos aprofundados que representem tematicamente e discutam o crescimento urbano e suas implicações ambientais nas lagoas do município de Feira de Santana. Portanto, este trabalho acadêmico servirá como ferramenta aos planejadores do município, à medida que fornece aspectos teóricos e metodológicos para a tomada de decisão. Pois, visa realizar, um estudo do avanço do espaço urbano sobre as lagoas Grande e Tabua, utilizado técnicas de Sensoriamento Remoto.