Apresentação de Seminário de Pesquisa: MONTAGEM E TESTE LABORATORIAL DE COLUNA PARA AVALIAÇÃO DA TÉCNICA DE PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS – POA EM SOLO CONTAMINADO POR 1,2 DCB

Local:
DCTM, terceiro andar EPUFBA

Data :
02/29/2012 - 17:00

Resumo:

Este trabalho apresenta a construção e teste de um aparato laboratorial para a
realização de ensaios de colunas em contaminantes orgânicos semi-voláteis e metálicos.
São apresentados resultados de quatro rodadas de ensaios para teste e ajustes do
equipamento. Os ensaios foram realizados em amostras de solo locais contaminadas
controladamente com 1,2-Diclorobenzeno (também conhecido como 1,2 DCB) para
avaliação da técnica de remediação por oxidação química utilizando o agente oxidante
Percarbonato de Sódio.
As amostras para moldagem dos Corpos de Prova-CP foram coletadas em solo
da Formação Marizal, típica da região do Polo Industrial de Çamaçari-BA. O aparato
para ensaio de coluna de solo consistiu em oito permeâmetros de parede flexível e
equipamentos auxiliares para permitir este tipo de teste. Tanto o laboratório como o
aparato laboratorial foram projetados para execução de testes com produtos perigosos e
agressivos aos materiais comuns.
Através dos ensaios realizados foi possível obter os parâmetros de transporte
Fator de Retardamento – Rd e Dispersão Hidrodinâmica – Dh através do Método
Tradicional e do Método de Massa Acumulada e compará-los com valores da literatura,
validando os resultados alcançados.
Os ensaios também permitiram avaliar as taxas de degradação do contaminante
1,2 DCB ao se injetar o agente oxidante Percarbonato de Sódio nos CP demonstrando
resultados satisfatório que alcançaram valores de oxidação superiores a 80%.
Efeitos secundários do processo de oxidação foram avaliados e indicaram a
redução da permeabilidade do solo e a mobilização dos metais Ca, Mg e K que
aumentaram a concentração no percolado. O Na por estar presente na estrutura
molecular do oxidante também apresentou aumento de concentração.
No solo, verificou-se elevação da concentração dos elementos Na, K, Mg, Al e
Cl e redução do Ca e Fe.
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1 – INTRODUÇÃO
A identificação de áreas contaminadas por hidrocarbonetos tem sido recorrente em todo o
Brasil, principalmente em áreas com grandes concentrações urbanas e em áreas industriais. Em
áreas urbanas, normalmente, a contaminação é decorrente de acidentes com vazamentos e
derramamentos de gasolina e diesel em postos combustíveis, e tem sido descoberta quando
ocorrem as trocas de tanques armazenamento, renovação de licença ambiental ou, em uma
condição mais avançada, quando o produto aparece em poços de abastecimento, galerias
subterrâneas ou em explosões decorrentes do acúmulo de vapores inflamáveis.
Em áreas industriais, as contaminações são identificadas através das campanhas de
monitoramento de solo e água subterrânea do órgão ambiental fiscalizador ou da própria empresa,
assim como em investigações ambientais contratadas para aquisição de áreas. Em situações mais
extremas, por denúncias de vazamento ou presença de produtos em poços de abastecimento de
áreas vizinhas.
Não existe um controle do número de contaminações no Brasil, mas no estado de São
Paulo, estatísticas da CETESB registraram, até novembro de 2009, a presença de 2.904 casos de
contaminações nos solos e águas subterrâneas, sendo que 1396 sem ação ainda estabelecida, 579
sob investigação e 929 casos em fase de reabilitação ou reabilitado.
A ocorrência de contaminação de solo e água subterrânea seja na área urbana ou industrial é
preocupante. No caso dos combustíveis, eles são produtos tóxicos que podem contaminar fontes de
abastecimento de água devido à presença na sua constituição de hidrocarbonetos monoaromáticos
como benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos (denominados BTEX), considerados substâncias
perigosas por serem depressantes do sistema nervoso central, além de causar leucemia
(CORSEUIL et al, 1997). Na área industrial, além da contaminação por combustíveis, a presença
de outros hidrocarbonetos utilizados nos processos produtivos pode tornar a situação mais
preocupante, pois trazem perigos ainda maiores, como no caso de produtos mais densos que a água
que podem migrar para zonas mais profundas e contaminar aquíferos utilizados para abastecimento
humano de toda uma cidade ou região.